Liderança para Desenvolvedores: O que faz um bom Líder?

julho 10th, 2007 | by Aldrin Leal |

Contexto

Hoje, lendo meus feeds, encontrei este post do Fernando Boaglio através do José Oliveira, sobre líderes que eram Desenvolvedores. Eu discordo um pouco, e isto me inspirou a escrever este artigo.

Premissa: Tenho como regra jamais usar a minha experiência profissional como argumento para justificar o que julgo certo ou errado. Trato quase como um mandamento, declarado como: “- Não Pavonearás!”. Isto não me torna imparcial. A parcialidade existe. Porém, ela será usada na forma de referências. No mais puro modo cartesiano possível. :)

As Idéias Apresentadas:

Boaglio começa com uma evidência anedotal:

Escutei algumas histórias de colegas que trabalharam com a equipe de Unix na IBM, lá existem níveis que vão crescendo conforme a experiência da pessoa. Existem também vários níveis de chefia, e o líder de todos era o tipo de pessoa que consegue falar pra você uma seqüência de uns 10 comandos sem errar um parâmetro sequer.

Bem, isto pode ter acontecido, mas:

Não Corresponde a Realidade:

Hoje, um candidato a Gerente de Projetos da IBM passa por um processo rigoroso para ser reconhecido. Meritocracia pura, estilo nova IBM.

Conhecimento não é suficiente.

E antes que entremos na tal da história do Quociente Emocional, é preciso fazer uma simples pergunta: Quais as habilidades um bom gerente de TI deve possuir? A respeito disso, eu sugiro a leitura do eterno clássico de Tom DeMarco e Timothy Lister, “PeopleWare: Productive Projects and Teams”. Revelando um pouco mais: O primeiro capítulo possui a seguinte citação:

A maioria dos problemas do nosso trabalho não são de natureza tão tecnológica quanto sociológica.

Claro que existem exceções à regra.

Mas não se engane: Foi um processo duradouro de acúmulo de experiência, mas eu aposto que bons gerentes que não fizeram um PMI (mas que são reconhecidos como dignos de um) leram um bocado, e não foi sobre frameworks.

Mas e afinal, o que faz um bom líder em Desenvolvimento?

Eu compilei uma pequena lista de valores que eu considero em um bom líder. Algumas combinam com o post original, outras não.

E o que importa?

Esqueça a ideologia. Precisamos de considerações práticas, agora. Realpolitik!

Um chefe que te permite estabelecer o seu ritmo (e, ao invés de ditar prazos, solicita a sua estimativa), e que, principalmente, te dê autonomia nas decisões, intermediando interesses, recursos, e features.

Porque da autonomia? Motivação é um fator chave neste processo.

Um exemplo: Se eu chego e lhe peço para fazer algo até quinta, eu estimei algo usando as minhas métricas (ou os meus prazos). É uma imposição. É algo error-prone.

Por outro lado, se eu solicito que me estimes o que eu preciso, pra quando, e caso necessário, usando o quê, você vai precisar analisar seu contexto (conhecimentos, responsabilidades/compromissos atuais), e, principalmente, ESTIMAR.

Porque do estimar? É muito óbvio você sentar e começar a fazer. É correto? Eis porque existe o conceito da engenharia: O processo criativo (e daí das raízes do nome ‘Engenharia’) é um processo, e precisa de passos. Formais ou… Ágeis.

Estimando, eu levando o roteiro, estipulo os riscos e os analiso, e consigo fazer uma lista de tarefas (preferencialmente, em horas), afim de conseguir estipular uma expectativa mais segura. E como eu estipulei de acordo com o meu ritmo, eu sou responsável por ele. E motivado.

Abstração, abstração, abstração!

Não importa se eu parei no assembly ou no Java. O que importa é que eu consiga transcender a visão além da linguagem e das ferramentas. Não quero saber como os fios vão ser ligados. O que preciso, e isto sim, é saber se a vista dos fios é condizente com a vista estrutural do prédio, com a tubulação de água e esgoto.

Óbvio que neste caso, abstração só se tem quando se possui a experiência em programar. Mas acredite: alguém que programa e coordena, acaba não fazendo bem nenhuma das duas coisas.

Ema ema ema, chefe é pra resolver problema!

Um bom chefe é capaz de ouvir seu momento de lamentação e, eventualmente, pagar o almoço ou então sugerir alguma estratégia para resolver o seu problema. Ele é um executivo e, portanto, deve possuir boas estratégia de ouvir e interpretar o problema, e vir com soluções práticas e, preferencialmente, testadas. É análise, só que de problemas e pessoas.

Ema ema ema, a equipe é meu problema!

E acima de tudo, não tem coisa pior que apontar dedo na frente do cliente para um analista. Um chefe precisa representar a equipe, e não torná-la um bode espiatório.

O que não importa?

Domínio das Ferramentas:

Eu tenho a abstração, certo?

Marketing

Eu vim aqui pra me vender, ou pra trabalhar? É possível fazer marketing, mas isto não precisa ser objetivo direto do meu trabalho.

Mais do que isso: Você manter a equipe motivada e cumprir prazos para o que foi prometido (ou melhor ainda: negociado) já manda o seu recado.

Epílogo

Confie. Há chefes e chefes. Eu apenas sintetizei aqui algum dos melhores que eu já tive (ou que ouvi falar :]).

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