Não Jogue Este Notebook no Lixo!
julho 19th, 2007 | by Aldrin Leal |Reflexões sobre uma tralha que subitamente ganhou uma importância imensa…
Prólogo
Eu gosto da idéia de projetos de finais de semana. Em especial, a idéia de construir algo novo, a partir de um conceito imaginado, sem dúvida é algo que me fascina. Algumas vezes, porém, a idéia é involuntária, e revela-se maior do que originalmente imaginamos.
Permita-me explicar melhor, e, em particular, focando em algo que aconteceu: Há cerca de uns seis meses atrás, quando meu pai adquiriu um notebook novo. Vendo ele utilizando seu note, o habitual entralhador (i.e., colecionador de tralha) que existe dentro de mim, perguntou: “-E o velho?”. E, em questão de instantes, voltei com o mesmo pra casa.
Na verdade, não é o meu primeiro note. Aliás, a minha histórias com notes pode explicar melhor o que é o processo de entralhamento:
- O meu primeiro note existe, fica parado em cima do Desktop, e é ligado apenas para obter documentos bem específicos/improváveis (mesmo tendo um backup). É um Presario da Compaq que, entre outras
virtudescaracterísticas, ele é biodegradável: Da feita que começamos a usar, ele começa a se decompor. Ainda não oficializei como tralha, mas já existem alguns planos de virtualizá-lo (utilizando o Assistente de P2V do VMWare) em breve (sendo, portanto, outro projeto-de-final-de-semana); - O meu segundo note foi comprado de um almoxarifado e custou R$ 100,00. É um note dinamarquês da AST, 386. Consegui desmontá-lo, mas não consegui montá-lo. Este vai ficar mais um tempinho enquanto tralha. Ao menos, o tempo que eu conseguir imaginar uma aplicação útil pra ele – e estabelecer uma estratégia de implementá-lo. Um grande problema que tenho com ele é com relação à expansibilidade: Ele não suporta o CardBus (isto é, a versão 32-bits do PCMCIA), e o Floppy não funciona. Jogo no Lixo? Claro que não! :)
E enfim, temos este terceiro. Foi há seis meses atrás, lembra? Pois então: O interesse inicial era o de instalar Ubuntu. Funcionou, porém a performance não agradou. Em busca de um plano mais viável, permaneceu na mala, sendo a sua única habilidade, até então, a de rodar o RDesktop (e mal: O X11 era pesado e eu não conseguia ajustar adequadamente o XOrg para o potencial completo da placa).
E pra finalizar esta seção, um pequeno sumário da tralhinha, um Satellite 2250XCDS Nacional da Semp-Toshiba, com:
- Processador: Celeron 600 MHz;
- Memória: 64MiB;
- Placa: Trident Cyber 9525DVD;
- HD: Cerca de 6GB;
Parece pouco, certo? Você não está enganado: Inicialmente também tive esta mesma impressão. Mas, pra tornar as coisas piores: Estes notes da Semp Toshiba são montados na… Bahia.
(Irônico, não?)
Fazendo o Martelo, a Partir dos Pregos
Agora mentalmente substitua a palavra tralha, com todo o seu caráter pejorativo, em “Coisa Séria”. Ok, sei que estou abusando da sua capacidade de engolir histórias mirabolantes. Mas confie em mim, que jamais tentei a Pesca como Hobby (embora eu deva me punir por isto: O Pará é considerado um estado ótimo para a Pesca Esportiva. Pena que não sou muito fã de Peixe e, como os nossos Senadores, prefiro os Bovinos).
Em um domingo de maio, ao voltar pra casa, vi um caminhão (que sempre costuma ficar ao redor do Emílio Goeldi) vendendo Pufes. Desde o tempo que eu frequentava o Oto Lounge Bar, fiquei fascinado com a idéia de ter uma daquelas almofadas, pronta, no meu quarto, à minha disposição. Não pensei duas vezes e comprei o kit completo, composto da almofada pras costas e de um apoio para os pés. Chegando em casa, percebi que, embora o pufe fosse confortável, a ergonomia dele não me facilitava muito assistir tevê.
Pensei: “-Ok, serve pra ficar encostado, mas e agora?” Pensa de lá, pensa de cá, e as idéias começam a se interrelacionar:
- Era possível usar o pufe como um suporte para o note, mas, depois de alguns dias, o pescoço começou a reclamar;
- Cinco Anos Antes, eu havia comprado aquelas esteiras de palha, beeem pré-escola. Jamais haviam sido usadas;
- Ano Passado, eu havia ganho uma mesa pra cama;
- Estando no chão, eu tinha uma versatilidade que não possuía na mesa do PC: De separar vários materiais (livros, cadernos, entre as inúmeras coisas que populam a minha mochila), e ter acesso fácil (algo que não seria fácil de fazer na escrivaninha, por outro lado);
- Com a mesa, seria fácil trocar de posição: Poderia fazer ásanas mais criativos, ou simplesmente levar a mesa pra cama;
- Há 5 anos atrás, eu trabalhava em um Desktop com uma configuração não muito diferente da daquele note, e aquilo não surtia muita diferença nas aplicações que então eu usava, versus as que eu utilizo hoje;
- Existe um tapete persa guardado. E estou cogitando usá-lo;
Surgiu então a percepção que vários objetos que haviam no meu quarto e que originalmente, constituam-se coisas inúteis, seriam capazes de, combinados entre si, constituir um equivalente a um scaffolding (“andaime”) para criação.
Traduzindo: Sem esforço algum, eu seria capaz de transformar o chão em um espaço alternativo. Não somente isso: Eu seria capaz de constituir um ambiente para me “desplugar” do mundo, mas com capacidade de poder trazer tudo o que eu precisaria caso eu decidisse me mudar para uma ilha deserta (exceto, é claro, da fonte de energia, pois a bateria do note ainda depende de uma fonte, e a mesma precisa de uma rede elétrica).
Mais importante: Baseado na minha experiência com o primeiro note (a qual o teclado e o monitor já foram biodegradados), posso afirmar que computadores portáteis, embora inicialmente possam parecer limitados em expansão, eles possuem uma versatilidade maior em relação a desktops, devido ao USB e o PCMCIA.
Não somente isso: Exceto o HD (que, obviamente, possui vida útil), virtualmente todos os componentes são feitos para durar e, principalmente, serem capazes de resistir as intempéries. E eu estava com um equipamento que, apesar de antigo, foi pouquíssimo usado. E que ainda possui bastante vida útil no HD, em particular.
Surgia, então, um novo nome para a tralha.
E eis que temos agora o todo-poderoso “Puffbook”!
Detalhando o plano
Era hora de elaborar um plano. Cada computador que adquiro/monto, é feito tendo em vista um jogo de aplicações. E de acordo com os requisitos destas aplicações, eu posso decidir quais eu posso utilizar ou não.
Após alguns minutos alternando entre o Firefox e o OneNote, fiz o seguinte outline sobre a máquina, perfil, e aplicações:
- Finalidades:
- Prototipação de Pequenas Provas-de-Conceito, utilizando Java e Python:
- Wingware IDE;
- Eclipse 3.x (Melhor Caso) / Gel (Pior Caso)
- Ferramentas Auxiliares:
- Subversion
- Maven 2.0.7
- Remote Desktop
- VNC
- MaxiVista Viewer
- SquirrelSQL
- JXplorer
- PuTTY
- Acesso via Bluetooth
- Acesso a Pontos Wireless
- Estabelecimento de Túneis, via:
- OpenVPN
- BitVise Tunnelier
- Adobe Acrobat
- FoxIt Reader
- Microsoft Office 2003
- Add-in para ODF da Sun
- Add-in para o Microsoft Reader
- Add-in para o Adobe Acrobat
- Sem Publisher / Access / Outlook
- Mas com OneNote
- Visio? Não jogo necessário
- Comprometendo o uso do Windows Update, em Particular
- HTML
- TeX
- OpenOffice
- ODF
- RTF
- PDF / PostScript
- CHM
O que então restava? Analisar os requisitos das principais aplicações-chave. Isto levou a definição das principais versões das aplicações que seriam necessárias.
Quanto ao Sistema Operacional, fiquei na dúvida entre o Windows XP e o Windows NT / 2000. Optei pelo XP, porém com um leve ajuste: XPlite. Isto reduziria o footprint do XP para coisa de 40MiB e, com o upgrade de memória para 192MiB (com um pente de 128MiB), sem dúvida deixaria a máquina voando.
Também listei as limitações/vantagens em outra aba no OneNote, como:
- Limitações/Desvantagens:
- Sistema Operacional: Edição Desktop (prefiro as de servidores!)
- Capacidade de Memória Limitada
- Potencial Indisponibilidade de Drivers
- Peso
- Potencial Problema com a tela de LCD, que possui 4 linhas inoperantes
- Flexibilidade
- Facilidade de Criar Novos Contextos de Trabalho
- Baixo Custo Financeiro
- Ajuda o Meio Ambiente: Não vai pro Lixo, e os processos de reciclagem de PCs trazem grandes danos ao meio-ambiente!
- Consumo de Energia inerentemente menor;
Equacionando isto, em conjunto com o contexto das aplicações, a questão se centralizava apenas na memória. Orçando sem pensar demais, achei uma por R$ 99.
A partir daquele número, o conceito tinha um preço, um prazo, e um objetivo específico. Tinha uma idéia pronta a ser executada.
E afinal de contas?
Duas semanas depois, a memória chegou e, com o auxílio da assistência técnica da Toshiba, instalei a mesma. Com o XPlite, fiz um CD de Slipstreaming do Windows XP Home, SP2. Em um estágio posterior, apliquei o AutoPatcher. E eis que pude começar a instalar as aplicações.
Por incrível que pareça, passei mais tempo me lembrando como configurar um notebook pra um consumo melhor de energia e otimização de performance. Em particular, precisei me lembrar de como habilitar Hibernação, e ajustar os perfis de consumo de energia. Outra grande virtude do XP foi pelo fato de, devido ao monitor ser LCD, o ClearType realmente otimiza a vista das letras (lembrem-se disso quando começarem a glorificar o Safari e o rendering da Apple!)
Aliás, uma estatística: O boot da máquina demora no máximo 45 segundos quando é feito a frio (isto é, desde o início). Um boot a partir da hibernação está na ordem de 10 a 15 segundos. Mais rápido que muito PC de Marmanjo :)
E, acredite: está funcionando muito bem!
2 Responses to “Não Jogue Este Notebook no Lixo!”
By http://kafram.myopenid.com/ on jul 19, 2007 | Reply
Hahaha, é, a idéia de ressucitar máquinas é muito boa, quando acompanhada com um bom planejamento, e quando o custo/beneficio vale.
Mas, err, no começo do post eu cheguei a tentar imaginar outra finalidade pro Puff que não apenas dar nome a uma criação :P
Parabens pela criação! :P
By Aldrin Leal on jul 19, 2007 | Reply
Eu confesso que ainda não o usei pra fins de procriação.
E pra ensaiar a procriação? Bem, a idéia é boa, sem dúvida!