A Utopia: Realpolitik Tupiniquim
julho 20th, 2007 | by Aldrin Leal |É óbvio que não posso ficar indiferente ao Acidente do vôo 3054 da TAM. Particularmente, a última hipótese é no mínimo um Deja Vu: Um problema vinculado ao reverso e vinculado a práticas ortodoxas sugeridas pelo próprio fornecedor, e em contextos que não costumam ser questão de simulador.
Porque falo isto? Bem, você gostaria de ler o parecer oficial do relatório sobre as causas do acidente do vôo 402, de 1996? Eis:
Falhas de projeto, insuficiente avaliação do diagrama de árvore de falhas frente a FAR 25.1309 e 25.933, e na orientação à operadora para não treinar a anormalidade ocorrida naquela fase, contribuíram, indiretamente, para a seqüência de eventos que levaram a colocar a tripulação frente a uma situação inédita, sem possibilidades de reconhecer e reagir corretamente, para evitar a perda de controle.
Soa familiar, certo? Eu gosto da TAM. Particularmente, é a minha favorita atualmente. Mas preciso separar o fã do crítico: Gostar também é ser crítico. Mas, sendo construtivo:
- A Pista pode ter culpa? Sim.
- O avião pode ter culpa? Sim.
- Os pilotos? Sim.
- O Governo? Sim.
E o que não pode? A culpa ser de apenas um. Todos eles possuem uma parcela de culpa. Da mesma forma que não há uma única causa de acidente, também acho que não exista um único responsável, pois os sintomas costumam dar aviso.
Mais importante: Quando ocorre um acidente, o mesmo é estudado pelas autoridades, e geralmente, resulta na sugestão de novas práticas visando mitigar o risco. Indiferente a isto, o Governo me lembra Taylerand, o Eterno Títere de Napoleão:
Não aprenderam nada. Não esqueceram nada.
O Governo foi indiferente? Não, temos um pronunciamento que vai além do “estarrecimento” do Lula. Este estarrecimento está há mais de uma semana: Ficou estarrecido no Rio. Ficaria estarrecido se fosse à São Paulo. Ficaria estarrecido em Porto Alegre. Melhor permanecer estarrecido em Brasília: Eu agradeço. Eis o nosso pronunciamento extra-oficial do Governo Lula:
Reinaldo assinalou o “filho da puta” dito. Basta observar, na leitura beiçal. Os pergunto: Quem é? 200 pessoas? Dois pilotos? A Emissora ou Toda a Mídia? Ou todos os eleitores deste país?
Correto está o Ministério Público do Rio Grande do Sul: Processar Lula, Zuanazzi, Saito, e Pires por Homicídio Culposo. Perfeito. Apenas me pergunto: Porque a Denise Abreu não entrou na ação?
. E por favor, não me venham com esta dialética do Dimenstein de “somos todos culpados”. Precisamos reaprender, neste pais, a assumir responsabilidade por alguma coisa. E direcioná-la a todas é oratória do PT.
Falando em oratória do PT, o Reinaldo Azevedo fez uma observação pertinentíssima:
Acusam seus adversários daquilo que eles próprios fazem. Não! Eu não celebrei a morte de ninguém. Lamentei. Lamentei todas elas e uma em particular, a do deputado Julio Redecker (PSDB-RS), e já expus aqui os motivos. Ah, eles sim. Eles tentaram comemorar o que seria a vitória sobre os adversários. Na entrevista, Marco Aurélio teve o mau gosto adicional de citar os mortos, que seriam a causa original de sua indignação. Conversa! Ele julgou, junto com o seu “Menino Prodígio” rompedor, que a fatura estava liquidada. Para ele, Lula havia ganhado mais essa. Para ele, Lula havia derrotado os 200 mortos.
Mais que a lamentação, resta a indignação. Por favor, boicotem a Infraero e o sistema aeroviário brasileiro por completo. Eles só falam por números. Vamos dar um número entre parênteses no balanço deles.
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