(Mais) Trinta e Dois Bits Depois: Windows XP Professional x64 Edition

março 19th, 2008 | by Aldrin Leal |

Ao adotar toda e qualquer tecnologia, é importante que você sempre a coloque no contexto: Você a irá fazê-la funcionar da maneira que ela foi intencionada, ou você irá impor suas intenções nela?

Isto define muita coisa. Na minha experiência, 90% das queixas sobre qualquer tecnologia envolve da dificuldade em compreendê-la dentro do seu contexto original. E o Windows é certamente uma das maiores vítimas disso: Qualquer mudança, por menor que seja, é bastante criticada. Apesar disso, o que poucos percebem é que o Windows sempre foi bastante liberal no que tange a compatibilidade: Com a edição de 32 bits do XP, eu era capaz de executar aplicações escritas para o MS-DOS 1.0, e isto data de 1980. Legado sempre foi um ponto bastante forte da Microsoft, à exceção talvez do Vista, mas existem bons motivos pra isso.

Legado é fundamental em qualquer ambiente, mas adequar-se as mudanças também é importante. Tenho procurado manter-me atualizado com a Microsoft, no que diz respeito ao ser usuário. Meu upgrade para o XP foi apenas em 2005, e até então, eu era usuário do 2000. O Vista ainda não está na agenda, pela minha percepção de que, mais importante que rodar o mais novo e recente, é ter tudo funcionando conforme eu quero. Adoto tarde apenas o sistema operacional, mas muito mais por reconhecer que todo sistema operacional merece uma atenção especial. Caso contrário, eu estaria toda hora reinstalando e reformatando – atitude de usuário que não considera e não planeja a máquina, e que se julga “administrador”. Por estes motivos, eu abro um sorriso imenso quando ouço alguém comentando que o Windows é um Lixo, ou que tal distribuição Linux o é (em tempo: no meu servidor linux, eu só formatei uma única vez – e isto data de 2004. E sim, está atualizadíssimo).

Porque disso tudo?

Recentemente, devido a uma falha na memória da minha máquina XP, e considerando o downtime que eu teria, tornou-se viável migrar pra arquitetura AMD64. O salto era necessário (pois ninguém mais vende mais nada em 32 bits, que não seja notebook e CPU da VIA), considerei atualizar o sistema operacional pra 64 bits. Ainda não era hora pro Vista. E não me agradaria subutilizar o CPU.

Contou muito também a disponibilidade de placas PCI-Express. E, bem… com PCI-E, é mais fácil montar estações com monitores dual.

Mas… Seria hora pro XP 64 bits?

 

Ele é considerado raríssimo (a propria Microsoft oferecia um trial, mas agora o site redireciona para o Vista 64 bits), mas o pouco que li gerou impressões positivas. Senti que era uma oportunidade de me aventurar com Dual Core, 64 bits, (e um PC silencioso, hehe). Sumarizando os pontos fortes e fracos, temos um grande problema: TODOS OS DRIVERS PRECISAM SER 64 bits (ou: “- Opa, aquela placa com nForce já se pagou!”)

Outro detalhe: Não existe versão em Português. Somente a inglês. Se você tem problemas com o idioma, bem… ema ema ema.

Quem não compreende, culpa o Windows. Afinal, seus programinhas feitos pro 8086 ainda funcionam, porque não o Driver? Bem, isto vem de dois detalhes sutis do Windows e da Arquitetura Intel. Posso explicar isso com mais detalhes depois, mas uma decisão-chave do Windows

Repare: São apenas os drivers. O Sistema Operacional é capaz de alternar entre 32 e 64 bits, permitindo a execução do legado 32 bits (que não é nada pequeno).

O Processo

O processo foi até simples: Obtive a o hardware (uma hora na loja de informática, só pra gabinete, processador, placa mãe, memória e uma placa de vídeo extra), instala o HD do PC, e então a mídia e a chave. Driver do CD, driver do site. Pra formatar e configurar o básico (i.e., sem as aplicações que costumo usar), durou coisa de uma hora. O resto demanda mais tempo, sem dúvida, mas o fato de não precisar aprender coisas novas já valeu a pena.

Gostaria de poder ter usado o FaST, mas como não tive acesso a minha partição 32 bits, preferi simplesmente criar uma cópia e reformatar a partição – Algo que não fazia há 2 anos J

E mesmo que tivesse, não seria possível fazer upgrade da instalação 32 bits. Porém, é possível rodar 32 e 64 bits em dual boot. Julguei não ser o caso, partindo da premissa que eu não rodo nada esotérico aqui.

 

Aplicações:

Os drivers precisam ser 64 bits. Apenas perceba que muitos dispositivos USB já possuem drivers fornecidos pela propria Microsoft. Mas certamente uma webcam ou um celular dariam trabalho.

As aplicações podem ser 32 bits, embora algumas dem trabalho por validarem e exigirem um Windows 32 bits – mesmo não sendo necessário esta exigência (O suite do Windows Live, surpreendentemente, é uma delas. Motivo de eu estar redigindo este post no Word – Que até agora, tem se mostrado ótimo pra isso). A responsabilidade desta tradução 32-para-64 deve-se ao Windows-On-Windows, ou WOW64. Ele é basicamente um subsistema específico pra traduzir chamadas entre as versões do Windows – Bastante semelhante a maneira que o Wine funciona, embora seja mais simples.

Porque do 64? Ora, o WOW original era pra executar aplciações 16 bits Windows no 95!

Diferenças:

A primeira diferença visível é que o diretório de Programas (em inglês, lembre-se): é “Program Files (x86)” pra programas 32-bits.

Outra diferença importante é no registry: As chaves de aplicações 32 bits (que ficavam em HKLM\SOFTWARE) ficam em HKLM\SOFTWARE\Wow6432Node):

Peculiaridades

Tive um problema com o teclado. Por algum motivo, a versão que eu instalei não possuia o layout pra ABNT2. Uma solução é utilizar o Microsoft Keyboard Layout Creator em uma máquina com o Windows XP 32 bits e criar um layout a partir do ABNT2, e então criar os arquivos de instalação. Não se preocupe: Fiz o serviço sujo e você pode obter os arquivos necessários aqui.

Conclusão

Embora pareça cedo afirmar, minha sensação com o resultado ficou bastante positiva. A Migração foi tranquila, não vi grandes problemas de compatibilidade, e a maioria da informação também se aplica ao Vista 64 bits. A manutenção do legado é algo controverso, se você apenas analisar os drivers, mas são as aplicações que justificam a máquina. E isto foi bem considerado.

A performance tem me surpreendido: A máquina náo trava, e o máximo que vi de CPU consumida foi na ordem de 42%. Óbvio: Um bom ajuste no I/O (Memória RAM, Swap, e um HD SATA, entre outras coisas) é necessário, mas não deve ser crítico.

Sumarizando: ainda vai demorar pra utilizar o Vista, hehe.

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