Duas Observações sobre Felina, Sexo, Noticiário, Pesquisas, Felicidade e Autonomia

maio 20th, 2009 | by Aldrin Leal |

Lendo este post, lembrei-me de 2 detalhes. Antes, uma citação:

“Notícia é o Blog da Felina ter atingido 2,7 milhões de acessos em pouco mais de um mês, um número extraordinário considerando-se o tempo em atividade e as condições do veículo (um blog no Blogspot/Blogger). Sobre isso, ninguém ousou noticiar.”

Primeiro Aspecto:

Infelizmente esqueci a fonte, mas tem um fenômeno interessante: Países Ricos costumam chamar manchete com escândalos financeiros/políticos, enquanto países pobres fazem manchete usando a sexualidade dos outros.

Ok, permita-me citar um exemplo: Inglaterra.

  • Michael Martin, parlamentar britânico, renunciou diante de um escândalo sobre reembolso de despesas do Parlamento Inglês;
  • Por outro lado, quando o noticiário relatou uma orgia Sado-Masoquista com Temática Nazista de Max Mosley com Cinco “Profissionais do Sexo”, o caso parou na justiça: O ponto todo do julgamento – cujo veredito foi inocente – foi sobre existência ou não da temática Nazista;

Sobre este último, um parêntese: O que complicava Max Mosley foi ser filho de Oswald Mosley, notório Líder do da British União Britânica de Fascistas, cujo segundo casamento chegou a ter a presença de Adolf Hitler e Joseph Goebbels.

Compare isso com o Brasil e temos um parâmetro saudável. Compare o noticiário das Celebridades (Suzana Vieira, Ronaldo, e Felina, pra começar). Compare com Protógenes, Daniel Dantas, MST, Senado, Petrobrás.

Isso reflete a “formação crítica” que tivemos, certo? Educação Moral e Cívica Pura, na veia.

Segundo Aspecto:

Meses atrás, saiu publicado uma pesquisa interessante: Classes A e B pensam diferente das C e D. Como assim? Para as classes A e B, é inadmissível o governo oferecer auxlílio a empresas em dificuldades financeiras. Enquanto as C e D julgam obrigação do governo auxiliar.

Ou seja: A imagem do governo como a viúva rica e dos bolsos fundos persiste na imaginação do povão. Isso talvez explique a idéia de que política, corrupção e clientelismo não atraiam massa crítica.

Por outro lado

Por outro lado, é um pouco da nossa mentalidade latino-americana. Perdoem-me os católicos anônimos – serei um pouco iconoclasta agora, mas apenas roubei a licença poética pra demonstrar algo que eu poderia ouvir numa conversa roubada por aí:

Nasci pecador e não sou dono da minha vida – tudo o que tenho é graças a deus, obrigado a viver uma vida de sofrimento. Ver a desgraça alheia dá ibope e alivia meus problemas – Schadenfreude da boa. Responsabilizar-se pela minha felicidade é mais complicado, enquanto eu puder jogar a culpa dos meus fracassos nos outros.

Apenas teorias, é claro. Infelizmente, não estou com um bom crédito no Google, então imaginem que as citações são verídicas – eis que são – infelizmente eu preciso começar a vincular melhor os fatos com as fontes.

  1. One Response to “Duas Observações sobre Felina, Sexo, Noticiário, Pesquisas, Felicidade e Autonomia”

  2. By Viktor Chagas on mai 20, 2009 | Reply

    Opa, Aldrin,

    Teu post é ótimo, bom para o debate. Mas fiquei pensando que, embora não tenha captado 100% teu posicionamento, talvez eu discorde um pouco do teu discurso e foi sobre isso que panfletei no meu texto.

    Todos os casos que você citou sobre escândalos “sexuais” no Brasil estão cobertos pelo meu argumento. No caso da Suzana Vieira, há muito desencontro de informação no que foi veiculado na mídia. Casos de supostas agressões, traições, tráfico de drogas etc. De modo que isso me leva a crer que o caso figura na possibilidade de que o que foi divulgado é “supostamente leve” e difícil de ser “omitido”, o suicídio. No caso do Ronaldo, o escândalo estourou mesmo quando o vídeo dos travestis caiu no YouTube. Até então as informações eram de novo desencontradas. E o mesmo aconteceu com a Felina, como tentei descrever.

    O julgamento do Max Mosley me parece que resvalou para a questão da apologia ao nazismo muito mais por uma questão de encontrar um subterfúgio para levá-lo a julgamento do que por uma idéia de que a apologia ao nazismo precisava ser punida. Mesmo porque, meses antes, o Príncipe Williams foi flagrado fantasiado de oficial nazista e não chegou aos tribunais por isso. Eu diria que esse caso é pretextual, como foi o caso do Al Capone, p. ex., preso por sonegação e não por tráfico e crime organizado.

    Portanto, eu discordo da idéia de que os países ricos veiculam mais manchetes de escândalos políticos do que de escândalos sexuais. (A Mônica Lewinski não me deixa enxergar de outro modo.) Acho que uma combinação entre o nosso moralismo e a proteção à segurança nacional deles acaba criando um cenário em que o que é veiculado na mídia aqui são os escândalos sexuais deles e não os nossos. Estes, sim, são abafados. Enquanto isso, os escândalos políticos e sociais daqui são noticiados à exaustão, mesmo que com provas e investigações rudimentares. Enquanto lá, como me parece ter sido o que houve no princípio com o caso da brasileira na Suíça, os jornais hesitam em noticiar problemas locais, para resguardar a “imagem” do país. Mas, é claro, essa observação não é fruto de pesquisa extensa e merece ser relativizada. Portanto, acho que o debate pode render. :)

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